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11 de Agosto de 2016

48 horas em Chapada dos Guimarães (MT)

Por Caroline Lanhi, jornalista convidada

Cidade de Pedra é um dos cartões-postais da Chapada Cidade de Pedra é um dos cartões-postais da Chapada (foto: Edson Rodrigues GECOM MT)
Mato Grosso não é minha terra natal, mas minha terra do coração há 18 anos. Aqui não temos uma metrópole e tampouco mar, mas temos orgulho de dizer que somos o único estado brasileiro com três biomas diferentes: pantanal, cerrado e floresta amazônica. Com tamanha diversidade, para conhecer tudo isso é preciso tempo e fôlego! 

Se o tempo é curto -  48 horas - minha sugestão é começar por Chapada dos Guimarães, que encanta pelos paredões avermelhados, as formações rochosas, a vegetação rica e peculiar do cerrado, a quantidade de cachoeiras e os rios de água transparente. 

Chapada fica a 65 km de Cuiabá e a maneira mais fácil e rápida de chegar lá é de carro, a partir da capital, pela rodovia MT-251. Como a maior parte dos passeios é longe do centro da cidade, melhor mesmo é alugar um carro. Mas também é possível chegar lá de ônibus e fechar passeios com transporte incluído. 

Como em Mato Grosso só existem duas estações, a seca (de maio a setembro) e a chuvosa (de outubro a abril), não indico ir para Chapada dos Guimarães no auge da chuva (entre dezembro e fevereiro).  Outra dica é não economizar no protetor solar e na hidratação, já que aqui a temperatura dificilmente fica abaixo dos 30°C. 

Para quem ficou animado, deixo aqui uma sugestão de roteiro que une trilhas pela natureza, contemplação e muita água. 

Sexta à noite
Quando falamos de Chapada dos Guimarães falamos de trilhas, água e sol. Por isso, nada de balada, comilança ou bebidas alcóolicas: a dica é dormir cedo para conseguir aproveitar bem o dia. Se ainda assim você quiser aproveitar um pouco da noite, fique em Cuiabá na sexta-feira e vá para Chapada no sábado bem cedo (6h30), para dar tempo de deixar as coisas no hotel/pousada e seguir para o primeiro passeio. 

Sábado
Manhã
Minha sugestão é começar pela Cidade de Pedra, para ter uma visão do que é Chapada dos Guimarães... e que visão! Para chegar lá é preciso contratar um guia credenciado e utilizar um carro 4x4 para ir até o início da trilha – então, procure um guia/agência que inclua o transporte. A trilha em si é curta, mas cheia de formações rochosas que estimulam a imaginação dos visitantes. O caminho leva à beira dos paredões de arenito com suas cores, desenhos e cerca de 350 metros de altura! É aquele momento de parar para sentir a imensidão, o barulho do vento nas rochas e na vegetação. Lindo demais!

Almoço
No centrinho é fácil encontrar opções de almoço caseiro, mas procure chegar antes das 14h. Independentemente do restaurante, entre as opções que você encontra estão peixes de água doce, galinhada (com ou sem pequi) e a tradicional farofa de banana.

Tarde
Hora de aliviar o calor nas águas transparentes que nascem no cerrado mato-grossense. Sugiro descer o Rio Paciência e o Rio Claro de duck (uma canoa inflável) ou boia (boia cross). Uma das empresas que trabalham com isso é a Tribo do Remo, que oferece passeios de diferentes níveis e horários. Mas se quiser fazer um comparativo com outras empresas, é só fazer uma busca rápida na internet.

No fim da tarde, aproveite para conhecer o centrinho da cidade e não deixe de entrar na Igreja de Santana do Sacramento, construída no século XVIII, uma das mais antigas do estado. Aproveite para circular entre as lojas de artesanato, fazer um lanche e relaxar.

Domingo
Manhã/tarde
Circuito das Cachoeiras é um dos meus favoritos. São 7 km de trilha (ida e volta) passando por cinco cachoeiras: Sete de Setembro, do Pulo, Prainha, Degraus e Andorinhas (esta última é, para mim, a mais gostosa). O percurso é dentro do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, administrado pelo ICMBio, e inclui uma passadinha pela Casa de Pedra, uma espécie de caverna por onde passa o córrego que forma as cachoeiras. 

A dica aqui é contratar um guia/agência que proporcione o maior tempo possível de passeio. Não caia nos pacotes “trilha + almoço”: melhor mesmo é curtir a trilha, a vegetação, os pássaros e as cachoeiras sem pressa. Assim, tome um café da manhã reforçado e coloque na mochila sanduíche, algumas frutas e outros lanches rápidos. Ah, não esqueça de levar uma sacola para recolher o lixo! 

Ainda dá pra incluir no passeio uma visita ao mirante da cachoeira Véu de Noiva, cartão postal de Chapada dos Guimarães.  A cachoeira tem quase 90 metros e é cercada pelos paredões. O acesso ao local é autoguiado, gratuito e pode ser feito das 9h às 16h. 

Fim de tarde
Para desacelerar e se despedir de Chapada dos Guimarães, nada melhor que conferir o pôr do sol. Sempre digo para meus amigos de fora que não há pôr do sol mais bonito e colorido do que o de Mato Grosso (primeiro você vem para cá e depois você me conta!). Para isso, vá até um dos vários mirantes da cidade e relaxe. 

O mirante do Alto do Céu é lindo e conta com um restaurante rústico onde é possível tomar um cappuccino, fazer um lanchinho. Como se trata de uma propriedade particular, é preciso pagar para ter acesso ao mirante (R$ 10 por pessoa). 

Noite
Sim, agora dá para aproveitar a noite sem precisar se preocupar em economizar energia para o dia seguinte. E, da próxima vez que voltar a Mato Grosso, venha com mais tempo! 

Fotos:
Edson Rodrigues (Cidade de Pedra)
José Medeiros (Véu de Noiva e Pôr do sol)

Veja também: Descobrindo Chapada dos Guimarães

Caroline Lanhi

Jornalista, assessora de imprensa do Governo de Mato Grosso e adora ouvir a frase portas em automático!.