Campos, jardins e canteiros pontilhados de flores coloridas, bosques e parques encantados, museus com vastos acervos, universidades reconhecidas internacionalmente, descobertas significativas na medicina, noite badalada e muito desenvolvimento. Campinas, que compete com Ribeirão Preto pelo maior crescimento do interior do Estado de São Paulo, tornou-se um clone em tamanho menor da terra da garoa, reunindo o progresso paulistano com excelentes residências, hotéis confortáveis, lojas sofisticadas e requintados restaurantes.
Apelidada de "Cidade das Andorinhas", Campinas é um lugar praticamente jovem pela presença de grandes universidades, como a conceituada UNICAMP. Isto fez com que as atrações se voltassem para este público, dobrando o número de restaurantes e casas noturnas nas agitadas avenidas de trânsito caótico: sintomas típicos de uma verdadeira metrópole. Isso tudo sem falar que este segundo maior mercado consumidor do país já está na marca de 1 milhão de habitantes.
O farto verde campineiro
Durante o dia, as opções para passeio estão nas matas e no ar puro que recheiam a cidade em 16 parques urbanizados. Comece visitando a preservada Mata Atlântica do Bosque dos Jequitibás (19/231-8795). Ele abriga o interessante Museu de História Natural; o Museu 9 de Julho (19/252-1324), que guarda as armas da Revolução Constitucionalista de 1932; um zoológico reconhecido pelo IBAMA; teatro infantil; aquário; fontes de água potável e muitas outras atrações. Outro parque bastante procurado em Campinas para o relaxamento é o Parque Portugal (19/256-9959), também chamado de Lagoa do Taquaral, que habita 33 alqueires de pura diversão. Ele dispõe de concha acústica, auditório para 2.000 pessoas, planetário, lagos com pedalinhos, uma réplica da caravela de Cabral, kartódromo, piscinas, pistas de patinação e diversas atrações para todas as idades. Se for final de semana, pode trazer a vara de pesca e ficar horas admirando a paisagem e enrolando o molinete.
Notas musicais nas grandes avenidas
Se engana quem pensa que Campinas é só calmaria. Esta cidade é um agito só, mas sem a correria caótica de um grande centro. Ela é uma mistura de tranqüilidade com desenvolvimento urbano, que gerou acordes de grande valor para a música brasileira. Aqui, nasceu o compositor lírico e maestro Carlos Gomes, autor da ópera "O Guarani", homenageado com o Museu Carlos Gomes (19/231-2567), onde está os objetos pessoais, o piano, a harpa e várias recordações do músico.
Campinas exala arte
Hoje, as clássicas notas musicais continuam embalando a cidade com uma Orquestra Sinfônica Municipal reconhecida internacionalmente. Ela costuma se apresentar na gigantesca concha acústica do Centro de Convivência Cultural, um suntuoso conjunto arquitetônico que habita a Praça Tom Jobim. Nele, dois grandes teatros, uma galeria de arte e vários bares noturnos fazem da região uma espécie de "baixo Campinas". Na hora de admirar mais obras artísticas, saiba que a cidade abriga 10 belos museus e 10 galerias de arte. Vale conhecer o MAC - Museu de Arte Contemporânea de Campinas (19/231-0555), que resguarda um bom acervo, e os museus do Bosque dos Jequitibás.
Depois de passear por museus e galerias, é fácil perceber que a arte está espalhada pela cidade. Um exemplo disso é o suntuoso Palácio dos Azulejos, na Rua Regente Feijó, no Centro. Ele foi erguido na época em que Campinas começou a ser muito rica pelas fazendas de café. Desta forma, o luxo e o requinte decoraram este palácio com material importado da Europa. No chão, mármore espanhol. Os azulejos, de fina porcelana portuguesa, é claro. Nas grades, a mão dos ingleses.
Toda esta imponência era comum nas casas dos Barões do Café e hoje ela se traduz em tecnologia nesta cidade que nasceu em berço de ouro, ou melhor, em enormes grãos de café. Para agradecer tamanha fartura, os cristãos sempre rezaram na Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição, na Praça José Bonifácio, construída em 1807, em estilo barroco e neoclássico.
O concorrido tour gastronômico
Depois de admirar a Catedral, chegou a hora de experimentar o tempero de Campinas. Aqui, você encontra restaurantes para todos os gostos culinários em ambientes de primeiro mundo. No dia em que chegar, almoce no Hirata (19/3272-1070) e coma a salada de rúcula mais gostosa da cidade. Para acompanhar, carnes grelhadas, peixes e camarões fazem a alegria dos freqüentadores. Se você preferir um lugar especializado em carnes, não deixe de provar a picanha maturada importada, o bife de chouriço, o lombo de porco e o pintado na brasa do Restaurante Cabanas Grill (19/3295-2262). Mas, se você é um amante da comida japonesa, não pode deixar de experimentar os sushis, sashimis, tepans e yakisobas no tatame do Restaurante Teriyaki (19/19/3252-5056).
Para um jantar especial, que tal a sofisticação da comida francesa? Considerado o melhor restaurante de Campinas, o Le Troquet (19/3258-1993) é mais do que recomendado pelos saborosos peixes e frutos do mar. Ele fica no Sousas, o concorrido e badalado centro gastronômico da cidade. Mas, se você não resiste a uma massa, jante no melhor restaurante italiano da região, a Trattoria Tevere (19/3252-8199) e não resista ao delicioso Macarrão com Camarões, um dos pratos mais pedidos. Outros italianos fabulosos são o Vecchia Cuccina (19/3254-6044), que serve perna de cordeiro com brócolis e batatas, e o La Campagna (19/227-2457), com deliciosos antipastos em um lugar bem romântico. Imperdível.
A noite gelada esquenta rápido
Depois do restaurante, uma boa pedida é cair na noite. Nesta hora, você vai entender porque Campinas é tão comparada com São Paulo, o berço da noite mais farta e badalada do país, que fica a 99 km daqui. O bar mais disputado de Campinas é o Coronel Mostarda (19/3254-5435), freqüentado pelos riquinhos e patricinhas da região.
Mas, se você faz um estilo mais agressivo e original, visite o The Bloody Coven Bar (19/3213-0821), regado com hits dos anos 80, shows com bandas nacionais, música gótica, vídeos de grandes clássicos do terror e performances teatrais que esquentam a madrugada gelada. E se você for da tribo GLS e estiver meio deslocado, é porque ainda não conheceu o Massivo (19/3251-3181) e o Andorra Bar (19/3234-3496), este último, repleto de objetos de arte, drinks alternativos, gente bonita e boa música. Já, as drags, clubbers e barbies campineiras e até paulistanas costumam bater ponto no The Club (19/3252-2978), que só funciona aos sábados. Sem dúvida, é o lugar mais divertido e descolado da cidade.
Campinas em cartão postal
No dia seguinte, procure não acordar tarde. Para combater a ressaca, basta uma visita ao Castelo D'Água, um mirante no alto do Jardim Chapadão com vista panorâmica para a cidade, que é o ponto geodésico do Estado de São Paulo. Depois, parta para um inesquecível passeio até a Fazenda Monte D'Este (19/257-1236/ 257-1324). Ela abriga o museu do café, a senzala e a antiga sede da fazenda, construída em 1850. Aqui, você vai ver como é feito o plantio do café, a colheita e as etapas da produção. A visita é monitorada e pode ser realizda de duas formas: você simplesmente conhece as atrações por R$ 15,00 ou pode visitar tudo e almoçar uma deliciosa comida típica por um pacote de R$55,00 por pessoa. Não deixe de marcar com antecedência.
Uma tarde de compras...
Na volta, faça um passeio de Maria Fumaça (19/207-3637) em vagões antigos puxados por uma locomotiva a vapor e depois parta para as compras. Campinas conta com quatro grandes shopping centers, sendo que o Iguatemi, com uma área de 130.000 m2, é o segundo maior de toda a América Latina. Para quem prefere artesanato, o Jardim Carlos Gomes vende peças em cerâmica, madeira e ferro batido. É só conferir.
Antes de voltar para o hotel neste fim de tarde, dê uma volta pela Lagoa do Taquaral para ver bastante gente bonita queimando calorias perto das águas e pelos bosques. É curioso observar todo este desenvolvimento urbano em uma região que começou como um atalho ligando São Paulo ao sertão de Goiás e a Mato Grosso. Batizada de "Campinas do Mato Grosso" no século 18, esta cidade passou a ser pouso dos bandeirantes, depois, território dos barões do café, das fazendas de gado, do desenvolvimento, do progresso e da cultura. Hoje, este filhote de São Paulo anda sem esporas, substituiu o cavalo por caminhonetes importadas, largou o sotaque de erre arrastado e passou a falar em vários idiomas, mostrando ao Brasil e a todo o planeta, que é possível existir primeiro mundo do lado de baixo do equador.