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48 horas em Manaus (AM)
20 de Dezembro de 2016

48 horas em Manaus (AM)

Por Nelza Oliveira

Fincada no coração da floresta amazônica, Manaus, a capital amazonense, é para os fortes em quase todos os sentidos. O clima úmido, o tempero forte, a gastronomia exótica, a beleza impactante, o verde, os rios, as lendas, a história, as tribos indígenas, a arquitetura, tudo é para ser apreciado pelos que não têm preconceito e medo de se aventurar. 

As estações são divididas em quente, muito quente e extremamente quente. Nada que um bom mergulho nas águas dos rios Negro e Solimões não faça você esquecer. O figurino básico é água e protetor solar. O resto é entrar no espírito amazônico e se sentir abençoado por conhecer essa parte do Brasil que é objeto de cobiça no mundo todo.

Sexta à noite
Para começar a entrar no espírito da cidade, vá bater perna no centro, onde fica a Praça de São Sebastião e o imponente Teatro Amazonas. Com sorte, você poderá aproveitar um dos belos espetáculos que são promovidos de graça no teatro construído no auge do ciclo da borracha e considerado um dos mais lindos do mundo. 

Se houver tempo, depois do espetáculo, prepare o paladar para uma experiência gastronômica única em um dos badalados restaurantes de comidas exóticas, como o Lenhador, no Tarumã, onde você pode provar além dos tradicionais e deliciosos peixes da região (tambaqui, pirarucu etc.), tartaruga, jacaré, arraia, entre outras iguarias. 

Sábado
Acorde cedo e disposto para se aventurar pela floresta. Diversas empresas oferecem passeios de barco nos arredores, em embarcações simples ou luxuosas. A saída pode ser do Porto de Manaus ou mesmo do próprio píer do hotel, se você estiver hospedado, entre outros, no Hotel Tropical, luxuoso e antigo resort às margens do Rio Negro.

Só sentar no barco e apreciar a bela paisagem no movimento gostoso do rio já seria suficiente, mas há ainda várias paradas que tornam o tour na selva ainda mais interessante. São vários itinerários com pequenas diferenças, mas incluindo os principais pontos turísticos do passeio. Normalmente a primeira parada é para abastecimento da embarcação no porto flutuante. Rotina na vida dos ribeirinhos, mas experiência gratificante para quem desconhece o planeta água Amazonas.

Em seguida, visita a uma tribo indígena. Mesmo quando você reconhece que é um local de turismo, preparado para encantar os visitantes, é possível se emocionar com as ocas, as vestes (ou não vestes), os cocares, as danças, os sons, os miúdos com os olhinhos puxados e cabelos negros e lisos, e ter a lembrança concreta dos costumes e povo original da nossa terra.

O almoço é num dos restaurantes flutuantes no meio da floresta aproveitando um delicioso buffet da dieta básica do amazonense: peixes e frutas. Depois do almoço, alguns minutos para caminhar sobre as pontes flutuantes, observar os animais típicos (macacos, preguiças, jacaré, cobras...) e a beleza das Vitórias-Régias. Para postar nas redes sociais seu dia de Indiana Jones, entre na fila para tirar fotos carregando uma cobra gigante.  

Próxima parada: o inesquecível banho com os botos.  Nessa hora você volta a ser criança. É possível ficar na água em meio a esses belos espécies que fazem parte das lendas amazônicas. A estrela é o boto-cor-de-rosa. Alguns cuidados são recomendados como não pular na água, não bater os pés e os braços, nem tocar em algumas partes dos animais para evitar machucá-los ou sair machucado. 

Claro que não se pode ir no Amazonas e não conhecer o Encontro das Águas. Todos os passeios têm parada obrigatória na confluência da água barrenta do Rio Solimões com a água escura do Rio Negro. O fenômeno dos dois rios lado a lado sem se misturarem tem explicação nas diferentes densidades e velocidades da água, mas sempre ficamos olhando para aquilo incrédulos. 

Na volta, relaxe, aprecie o pôr do sol e curta a vista da floresta e da cidade no movimento doce dos banzeiros, as suaves ondas provocadas pelo balanço do barco. Se sobrar alguma energia, dê um passeio à noite na praia Ponta Negra. A movimentação lembra as da orlas das praias cariocas. Aproveite para provar o tacacá, caldo feito com a goma da mandioca, camarões, tucupi e jambu, que provoca sensação de formigamento na boca, ou tomar um açaí. 

Domingo
Manhã
Hoje é dia de renovar as energias. Tire o dia para conhecer Presidente Figueiredo, a pouco mais de 100km de Manaus. A cidade tem registrada mais de 100 cachoeiras de diversos tamanhos e formatos e muitas diferentes corredeiras. Um paraíso para o ecoturismo. Algumas oferecem além dos banhos e selvas, grutas e cavernas lindíssimas.  

A água é de cor âmbar, gelada, um verdadeiro oásis no calor da selva, com longas caminhadas pisando em raízes e folhas naturais da floresta úmida e sentindo o cheiro de mato. A paisagem muda no decorrer do ano, dependendo da cheia ou da seca, mas é sempre imperdível. Algumas empresas oferecem o passeio ou você pode contratar o serviço de um guia particular. 

Em um dia é possível conhecer pelo menos três. As mais famosas são Santuário e Iracema. Santuário ganhou esse nome por um aspecto pitoresco: tem uma pequena estátua de Santa Clara fixada no meio da primeira queda d'água.

Tarde
Na volta, pare para almoçar um peixe bem saboroso e comprar artesanato indígena no Parque Urubuí. Se ainda chegar cedo em Manaus, bata perna no centro antes de deixar a cidade para conhecer algumas de suas belas estruturas arquitetônicas como o Palácio Rio Negro, antiga sede do governo, e o Palacete Provincial, que abriga vários museus. Há ainda o Museu da Casa Eduardo Ribeiro, que foi residência do primeiro governador negro do Brasil responsável pelas transformações que levaram Manaus a ser conhecida como “Paris dos trópicos”.

Fotos
Raphael Baumberger



Veja também: Descobrindo Manaus

Nelza Oliveira

Jornalista que adotou o Rio para viver, mas nasceu mesmo foi no coração da Floresta Amazônica. Apaixonada por viagens, teve a oportunidade de conhecer vários países do mundo e diversas cidades do Brasil a trabalho e outros tantos passeando